domingo, 26 de fevereiro de 2012

Desastre




O livro me surpreendeu. Achei que era mais um dos tantos livros de mistério e assassinato, mas não, nada a ver. 
Fado, nosso narrador, é um imortal que atende por Fábio no nosso mundo. O que ele faz é controlar o fado, ou sina, de todos nós. Os seus companheiros são todos imortais: Destino, Morte, Carma, Preguiça, Gula, Inveja, Justiça, Tédio, Culpa e tudo o que vocês puderem imaginar. Fábio tem 225 milhões de anos e discagem direta para Jerry (Ele Mesmo - Javé, Jeová, o nome pelo qual você O conhece), cartão de crédito universal com crédito ilimitado e, embora sua forma real seja uma bola de luz gigantesca e cegante, ele tem direito a um corpo humano artificial, feito sob medida, com garantia de fábrica. 

A narrativa é leve e engraçada, a leitura é rápida. Embora Fábio não entenda a sociedade de consumo, ao final ele praticamente chega perto da compreensão... não, ele não se entrega e mesmo na pior, ele nunca desiste de ajudar os outros. Os diálogos com Carma são os melhores. O problema é que Fábio se apaixona. O problema é que Fábio decide ajudar os humanos a melhorar sua sina. Mas o livre-arbítrio é uma droga, não é? 

Separei uns trechos para vocês.

p. 115: Carma olha para mim do jeito que o para Urbano VIII olhou para Galileu quando ele afirmou que o Sol era o centro do universo.

Na mesma página, cito o trecho de um diálogo entre Fado e Carma:

“Me acalmar?” diz Carma (...) “Como é que eu posso me acalmar quando ao meu redor estão criaturas em perpétuo estado de ignorância?”
Parece familiar.
“Eles são apenas humanos”, digo. “Não podem evitar.”
“Claro que podem”, comenta Carma, aumentando a voz. “ Mas, em vez disso, todos estão focados na quantidade de dinheiro que conseguem, no tipo de carro que dirigem ou em que nome está na etiqueta de sua roupa de baixo.”
p. 123: Paro um passeador de cachorros de vinte e nove anos, que acaba de esbanjar dois dias de pagamento em um simples par de jeans e lhe digo que Darwin provavelmente haveria de excluí-lo do acervo genético como impróprio para a seleção natural.  (...)
Não estou fazendo muitos amigos assim. (...) isso seria mais fácil se Bom Senso ainda estivesse por ali (...) não ajuda em nada que eu tenha de competir com Ostentação e Vaidade.
Agora imaginem Ostentação e Vaidade fazendo festinha no meio da Champs-Elysées! Só por essa cena, que é descrita em uma página, vale a pena ler o livro! 

3 comentários:

  1. Oi Patty! Parece bem interessante, esses companheiros dele aí estão sempre na cabeça de todos nós... bem da minha tirando carma e destino que eu não acredito.
    Terminei de ler o "Ainda existem aveleiras". Vou fazer uma resenha dele e colocar lá no nosso bloguinho, e estava pensando em deixar em aberto lá se alguém das meninas quer ler. O que vc acha?
    Bjos, Lú.

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  2. O trecho que você descreve desperta a vontade de lê-lo. Gosto dessa irreverencia ao descrever "nossos" defeitos....Já está na lista.

    Muita Luz e Paz
    Abraços

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  3. Oi Patty, parece bem divertido e sarcástico. Animei. Sempre penso que a seleção natural esqueceu algumas "pessoas involuídas" por aqui...

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