sábado, 19 de fevereiro de 2011

LIVRO: O CONTO DA AIA

Lembram da lista dos 100 livros que todo mundo deveria ler na vida? 
Dê uma olhada aqui.
Eu adoro listas: lista de tarefas para o dia, de compras, de itens para levar na mala, do que não esquecer pela manhã, de livros para comprar, de livros que já tenho (nunca atualizada), de presentes e por aí afora.
Claro que quando vi aquela lista, dei uma pesquisada nos livros, pois alguns me chamaram a atenção.
Estou lendo O CONTO DA AIA, de Margaret Atwood. 
É realmente indispensável.
E muito, mas muito bem escrito.






Em síntese: é um livro futurista (escrito em 1985, não esperem por grandes tecnologias), no qual um grupo de religiosos depõe o governo e retira as garantias constitucionais dos cidadãos. Ninguém se importa muito, até que situações extremas começam a acontecer: o dinheiro das mulheres é confiscado e elas não podem exercer nenhum ofício. Todas são "educadas", então, para um único propósito: procriar. Não todas: as não férteis ("não mulheres") são transformadas em cozinheiras ou faxineiras; as que não têm utilidade, são enviadas para uma ilha isolada, o que é considerado um destino muito pior; as crianças são separadas das mães, provavelmente para receber a educação "correta" desde pequenas. As aias são mulheres em idade fértil, que passam a viver nas residências dos comandantes (só homens de posição social elevada têm direito a ter mulheres), junto com as esposas destes. Não são concubinas - só servem para a reprodução. Não têm direito a nada, são coisificadas. Não podem ler, pois ler é perigoso. Qualquer ato pode ser considerado heresia. Perdem o próprio nome. 


Estou lendo aos poucos, pois não é uma leitura light e não dá para fazer leitura dinâmica! Como eu disse, é muito bem escrito e eu quero ver como vai terminar! Separei um trecho que li hoje para vocês:


"A noite cai. Ou caiu a noite. Por que a noite cai, em vez de subir como o raiar do dia? Contudo, se você olhar para o leste, ao pôr-do-sol, pode ver a noite subindo, não caindo; a escuridão se eleva em direção ao céu, subindo no horizonte, como um sol negro atrás de uma coberta de nuvem. Como fumaça de chamas que não se vê, uma linha de fogo pouco abaixo do horizonte, um fogo em meio à mata ou uma cidade em chamas. Talvez a noite caia porque é pesada, uma cortina espessa puxada sobre os olhos. Cobertor de lã." (p. 231)


O livro é como um diário da aia em questão, da qual não sabemos o verdadeiro nome. Como ela foi "rebatizada", ela esconde seu verdadeiro nome, pois seria uma heresia dizê-lo. As situações do presente são entremeadas com as suas impressões e lembranças sobre o passado. 


O interessante é que, como referi acima, as mudanças foram feitas gradualmente, primeiro com a concordância da sociedade, que achava que "alguma coisa" tinha que ser feita para acabar com a imoralidade, depois, cada vez mais, à força, até atingir um regime totalitário. Quando as mulheres se deram conta da gravidade da situação, não havia mais como fugir. A questão é relevante quando pensamos que os cidadãos estão dispostos a abrir mão de sua privacidade, ou a permitir medidas extremas, em nome da segurança pessoal ou mesmo da preservação dos "bons" costumes. 


Para ajudar você a decidir se vai ou não ler, reproduzo ainda a sinopse, retirada do Skoob:

Sinopse

A história de 'O conto da aia' passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes - tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América. As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado - há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Com esta história, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente.



2 comentários:

  1. Oi Patty! Esse livro já está na minha lista de leitura, em breve volto pra te contar o que achei pois esse trecinho só me deu mais água na boca!

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  2. Ei Patty,

    Que legal, não conhecia o livro e gostei muito da história. Obrigada pela dica e por avisar, não tinha visto este post rs

    bjoo

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