sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Peste


Terminei de ler A PESTE, de Albert Camus.

Esse me deu algum trabalho, levei algumas noites para lê-lo.

Destaquei alguns trechos para compartilhar com vocês.

p.115:

- Quem lhe ensinou tudo isso, doutor?

- A miséria.

p. 118:

O mal que existe no mundo provém quase sempre da ignorância, e a boa vontade, se não for esclarecida, pode causar tantos danos quanto a maldade. Os homens são mais bons que maus (....). Mas ignoram mais ou menos, e é a isso que se chama virtude ou vício, sendo o vício mais desesperado o da ignorância, que julga saber tudo saber tudo e se autoriza, então, a matar. A alma do assassino é cega, e não há verdadeira bondade nem belo amor sem toda a clarividência possível.


p. 119:

Pois sabiam que era a única coisa a fazer, e não se decidir a fazê-lo é que teria sido incrível. (...) a peste se tornava (...) o problema de todos.
(...) Toda a questão residia em impedir o maior número possível de homens de morrerem (...).
p. 139:
(...) homens demais continuavam inativos, que a epidemia dizia respeito a todos e que cada um devia cumprir o seu dever.
p. 140:
(...) sinto-me bem na peste. Não vejo por que haveria de me empenhar em fazê-la cessar.
p. 143:
[o homem] É incapaz de sofrer ou de ser feliz por muito tempo. Portanto, não é capaz de nada que preste.
p. 183:
(...) se Rambert queria compartilhar da desgraça dos homens, jamais teria tempo para ser feliz. Era preciso escolher.
(...) Pensei sempre que era estranho a esta cidade e que nada tinha a ver com vocês. Mas, agora que vi o que vi, sei que sou daqui, quer queira, quer não. A história diz respeito a todos nós.
p. 184:
- Nada no mundo vale que nos afastemos daquilo que amamos. E, contudo, também eu me afasto, sem que possa saber por quê.
p. 191:
Trabalhamos juntos para qualquer coisa que nos une para além das blasfêmias e das orações. Só isso é importante.
p. 194:
Era mais fácil usar medalhas protetoras ou amuletos de São Roque do que ir à missa.
p. 196:
Havia, certamente, o bem e o mal e, geralmente, as pessoas sabiam explicar facilmente o que os distinguiria. A dificuldade começava porém no interior do mal. Havia, por exemplo, o mal aparentemente necessário e o mal aparentemente inútil.

p. 199:
Era preciso apenas começar a caminhar para a frente, nas trevas, um pouco às cegas, e tentar praticar o bem. (...) não havia ilha na peste. Não, não havia meio-termo.
pp. 219-20 - sobre a pena de morte:
(...) tinha contribuído indiretamente para a morte de milhares de homens, que tinha até provocado essa morte, achando bons os princípios e as ações que a tinham fatalmente acarretado. (...) Estava com eles e, contudo, estava só. (...) hoje cada qual mata o mais que pode. (...) pelo menos de minha parte, recusaria sempre dar uma razão, uma única - compreende? - para essa repugnante carnificina. Sim, escolhi essa cegueira obstinada, enquanto esperava poder ver mais claro.
(...) Há muito tempo que tenho vergonha, uma vergonha mortal, de ter sido, ainda que de longe, ainda que na boa vontade, por minha vez, um assassino. (...) estávamos todos na peste (...) é preciso fazer o necessário para deixar de ser um empestado (...) e foi por isso que decidi recusar tudo o que, de perto ou de longe, por boas ou más razões, faz morrer ou justifica que se faça morrer. (...) cada um traz em si a peste.
O que é natural é o micróbio. (...) a saúde, a integridade, a pureza, se quiser - é um efeito da vontade, de uma vontade que não deve jamais se deter. O homem direito, aquele que não infecta quase ninguém, é aquele que tem o menor número de distrações possível.

p. 222:
Creio que não sinto atração pelo heroísmo e pela santidade. O que me interessa é ser um homem.
Consegui fazer vocês se interessarem pelo romance?


Um comentário:

  1. Ei Patty,

    Nossa trechos fortes, não sei se é um livro que eu iria gostar, mas achei bem interessante.

    P.S: 19 anos? hauhauhau meu dia ficou bem mais feliz depois desta ^^

    bjoo
    Nanda

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