quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Solidão

Eu já mencionei aqui a cidade chamada Soledade e das coisas inusitadas que acontecem quando o ônibus chega lá. Eu não vou escrever sobre Soledade. Só vou registrar que acho que essa cidade tem um nome muito lindo: Soledade. Milhares de cidades por aí tem nomes feios, algumas até ridículos. Sim, por favor, reconheçam. Santa paciência, por que as pessoas não pensam antes de nomear uma cidade? Eu não vou indicar nenhuma para não ofender ninguém. Já Soledade tem uma sonoridade incrível. Falem em voz alta. Hum.... 

Vim aqui para falar de outra coisa. Eu viajo na segunda à noite e chego em Frederico na terça de madrugada. No café da manhã já vejo as pessoas reunidas. Sim, reunidas, no sentido de reunião de trabalho. Sempre é possível ver um aos berros no telefone celular. Geralmente um homem. Dá vontade de dar um tapinha no ombro e dizer: "não precisa gritar no celular". Na última terça, havia um problema com uma máquina. Achei que o homem ia infartar. Sabe quando lemos nos romances que a pessoa enche o salão com a sua presença? Ele encheu o salão do café, mas de um jeito ruim. Ele precisava de um técnico para a tal máquina, e berrava no telefone. Ele até tentou ser educado e foi conversar à janela, mas esqueceu de modular a voz. 
Eu sempre tenho vontade de dizer: seja o que for, é possível resolver depois do café da manhã. 

No jantar geralmente ocorre a mesma coisa, com poucas variações. Eu olho para o meu pai (ele viaja comigo) e digo: "oba! Ligaram a TV!", pois hoje em dia não se entra em nenhum ambiente sem escapar da TV. Consultórios, restaurantes, acho que até mesmo em igrejas deve ter um aparelho de TV escondido. Quem sabe? E ainda não decidi o que é pior, a novela ou o jornal. 

Quanto aos frequentadores, valem um estudo. Os solitários sentam, fazem o pedido e ficam face a face com o telefone. Não importa a idade. (Ou seja, ninguém dá a mínima para a TV.) Os que chegam em grupo, fazem reunião de trabalho (afe!) para discutir balanço e dentre esses há aquele que se gaba de conseguir acessar o sistema da empresa pelo celular (juro!). Quanto a esse último grupinho, de uma loja local, eu quase levantei e perguntei se eles não tinham vida. Pois eu, a mais de 600 km de casa, estava morrendo de tédio e gostaria de estar fazendo qualquer coisa, menos trabalhando àquela hora do dia. Há tempo para tudo. Até para repousar. 

Reunir-se com colegas de trabalho após o expediente para falar de trabalho ou ficar olhando para o celular por falta de alternativa, por estar distante de casa. Tudo é solidão.

6 comentários:

  1. Oi Patty,

    Individualismo! Cada um preocupado com o seu próprio umbigo, sem paciência, sem respeito pelo próximo. O assunto sempre é trabalho, reclamações ou redes sociais, fofocas e tudo mais...
    Não assisto novela, vejo pouco jornal, o mundo esta caminhando para algo muito estranho... Falta Deus, falta amor, não se da valor a família e amigos, onde vamos parar?

    Beijos!

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  2. Patty, tu escreve tão bem que eu consegui imaginar o "homi" dando piti aqui! hahahaha!
    Depois dizem que nós mulheres que somos indiscretas. Homi quando dá chilique é uó.
    Eu sou do tipo solitária, bem na minha, se eu não fosse obrigada a socializar, não socializava mesmo! Certas pessoas me cansam!
    Existem diversos tipos de solidão e a verdadeira, sem drama, é a melhor que existe, chega a ser quase sinônimo de paz.

    http://colunadami.blogspot.com.br

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  3. Gostei da sua crônica, amiga :) e ela me levou a pensar nos diferentes tipos de solidão. Eu não sei dizer se solidão é bom ou ruim...eu gosto em doses homeopáticas para organizar as ideias às vezes. Beijoss

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  4. Patty,

    É assim mesmo... Acho que as pessoas são tão estranhas! Na verdade, sei que minhas escolhas não refletem as da maioria, mas veja só que engraçado: as pessoas querem parecer autênticas e únicas, mas ao mesmo tempo são todas iguais imitando um comportamento de rebanho.

    Querem "aparecer", ter muitas curtidas no Facebook, seguidores no Twitter e Instagram, senão, Deus nos livre, a auto-estima desaba.

    Se vestem de acordo com o que a moda estabelece, assistem aos mesmos programas, têm as mesmas opiniões (invariavelmente cheias de clichês). Todos eles têm medo do diferente, de destoar, então repetem os mesmos padrões, mesmo que ridículos, tentando ser aceitos. Isso também não é solidão?

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  5. Oi, Patty!
    Pelo que eu entendi, você estava de passagem pela cidade e as pessoas também. Você as observou enquanto elas estavam ocupadas com seus problemas ou se entretendo com celulares. Penso que cada um suporta o vazio de estarem sozinhos da forma que têm disponível, mas realmente, ter como pano de fundo uma tv barulhenta em todos os momentos da vida, não é uma forma saudável para a mente. O silêncio faz falta! Esse mesmo silêncio é incomodativo para as pessoas que padecem de solidão.
    Beijus,

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  6. Patty,

    Olá, esta tudo bem por ai???

    Beijos!

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