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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Aconteceu no ônibus

Já me disseram que os causos que acontecem nas viagens semanais de ônibus podem virar livro. Bem, eu disse, pode virar blog.
Toda vez que o ônibus faz uma parada em Soledade eu já fico esperando para dar risadas. Eu já passei por isso e sei que toda noite é a mesma coisa.
A parada em Soledade é a única longa, de 15 minutos. É uma pausa para pipi room, lanche e troca de motorista.  Algo que os passageiros de primeira viagem não sabem: todos os ônibus da Ouro e Prata param ali.
Qual a pegadinha? Você desce do ônibus meio sonolento,  lá pelas 2h da manhã,  contente por poder esticar as pernas, fazer um xixi, comprar uma água.  Quando retorna, vê aquele monte de ônibus,  todos iguais.
Opa! Qual é o meu?
Na viagem que eu fiz com a minha irmã,  3 pessoas só se deram conta do erro quando estavam no meio do corredor. "Esse não é o meu ônibus" ou "Estou no ônibus errado," foram as frases usadas.
Sinto muito, mas não dá pra não rir. No meu primeiro dia, entrei em 3 ônibus errados até acertar.  E ri também,  de mim mesma. Agora só desço no destino final. Melhor prevenir!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Passagens do Ônibus

Num dia desses, minha irmã resolveu me acompanhar numa das minhas viagens a trabalho. São 8 horas de viagem de ônibus, à noite, para chegar numa cidade desconhecida para ela. Malas prontas, vamos lá.
Nós duas, bem educadas pela Mama, somos gurias que falam baixinho entre si quando estão em público,  não dão risadas escandalosas, pedem licença, cumprimentam, etc e tal. Mama sempre foi daquelas que nunca precisou passar o laço.  Era só dar uma olhadinha e pronto.  E sempre nos ensinou as coisas que moça direita não faz.
Pois naquele dia, ou melhor, noite, houve um festival de galinhagem no ônibus, que é como chamamos por aqui.
As moças (estou sendo boazinha) entraram em Campo Bom. Uma moça com bebê e uma bem mais velha, sozinha. Já foram dizendo o destino: uma vai pra Iraí, a outra, pra Frederico.
A primeira ligação foi pra casa. A tal da moça,  Katieli, mãe do Davi, falando com o marido ao telefone. Até o David falou no telefone.  Mal exemplo vem de casa. O cunhado vai buscar na rodoviária.  Ótimo.
Depois a Suzi. Vai viajar porque está estressada. Está se mudando de mala e cuia pra Frederico. Já avisou o namorado? Ainda não.  Mas já já consegue o sinal: Júlio,  tô indo.  Te amo. Claro que te amo. Tu tá em cima do telhado? Só assim pra conseguir sinal? Etc.
A essas duas se junta a Sandra. Ela passou uma semana em São Leopoldo com os dois filhos, longe do marido. Pelo assanho, concluo que a separação foi boa, ou que ela está ansiosa pelo retorno. Sandra não cala a boca, mas quando a bebê tenta falar, ela manda calar a boca.
O que a bebê da Sandra quer é leite. Por isso a Sandra quase leva uma surra de outra passageira, uma jovem com necessidades especiais que está sentada ali próxima.  Ela diz, mas vovó,  eu não suporto choro de criança.
O trio de amigas não dorme e não cala a boca até a chegada em Frederico. Fiquei curiosa para saber do desfecho entre Suzi e Júlio, pois os últimos arranjos estavam nesse pé: ele ia pegá-la de moto na rodoviária,  mas não tinha combustível. E estava bêbado.  Ele mora com os pais, que estavam acordados desde às 4h da manhã. Suzi ainda não conhecia a família do namorado. E ela rindo no ônibus enquanto passava perfume.
Juro que não inventei nada. Até suprimi alguns detalhes.

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